• Diferenças e pontos de vista

    Diferenças e pontos de vista

    Adquirimos e desenvolvemos em nossa vida maneiras de interpretar o que vivenciamos, e utilizamos essas interpretações para nos guiar em nossos caminhos e escolhas.

    As diferentes maneiras de interpretar as experiências vão se tornando uma espécie de lente particular, intermediando nossa relação com as outras pessoas, com os objetos e com os espaços que transitamos.

    Durante nossa infância, nossa lente ainda está aberta para agregar novas e diferentes experiências, mas com o passar do tempo ela vai se fixando e constituindo o nosso modo particular de interpretar o que vivemos.

    Nem sempre escolhemos os motivos pelos quais fazemos o que fazemos, ou que pensamos o que pensamos, e acabamos repetindos muitos modos de ser das pessoas que convivemos.

    Agimos tal como aprendemos ou como observamos outras pessoas, e esquecemos o que nos levou a fazer como fazemos. Vamos nos tornando algo que não entendemos bem, pois reproduzimos modos de ser, agir e sentir que nem sempre escolhemos conscientemente.

    Quando nos encontramos com pessoas com modos de ser ou agir diferentes dos nossos, o conflito é inevitável. Ele acontece justamente pelo contato com o diferente.

    Muitas vezes gostaríamos que o outro fosse igual a nós, criticamos o outro tentando ajustá-lo aos nossos modos. Nem sempre é fácil compreender o outro como uma outra pessoa, com seus hábitos e valores próprios, que são diferentes dos nossos.

    Os modos de ser que desenvolvemos nem sempre estão em sintonia com os modos de ser de outras pessoas e isso não é negativo, pois representa o valor da singularidade de cada um.

    A maneira como lidamos com as contradições pode colaborar para o nosso desenvolvimento pessoal, pois por meio dela que conhecemos outros pontos de vista.

    Quando negamos a contradição e evitamos o contato com pessoas que pensam e agem diferente de nós, evitamos possibilidades de conceber outros caminhos e outras maneiras de ser, nos fechando nas próprias certezas ao invés de nos abrir para o que pode vir.

    Compreender outra pessoa é como fazer uma viagem para um lugar desconhecido a ser desbravado. Para isso precisamos colocar em dúvida nossas certezas e nos distanciar um pouco de nós mesmos. Se parecer difícil entender outro ponto de vista, que ao menos possamos compreender a beleza que é a liberdade de cada pessoa em fazer suas escolhas e viver sua vida de seu modo.


    Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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