• O que é felicidade para você?


    Vivemos hoje uma época onde a felicidade é praticamente uma obrigação, todos "temos" de parecer felizes, independente de como nos sentimos. Vemos isso em filmes, revistas, livros e em manuais sobre como viver feliz.

    A felicidade é "vendida" em filmes, seriados, viagens, remédios, restaurantes… Há uma porção de produtos e serviços que se mostram como soluções para os nossos problemas. Porém, quanto mais buscamos a felicidade em fórmulas prontas, mais nos distanciamos do que realmente nos faz sentir feliz, pois tentamos nos ajustar aos modelos externos de felicidade ao invés de buscar o que realmente nos faz feliz.

    Esses modelos prontos de felicidade podem nos proporcionar uma sensação de contentamento temporário, porém nem sempre se afinam com o que realmente sentimos. Trata-se de uma concepção generalista, como se a felicidade fosse igual para todos, enquanto cada um de nós é um ser único e singular, com desejos e necessidades diferentes.

    Se para um a felicidade é ter o carro novo, para outro pode ser uma viagem de férias, ou simplesmente um passeio no parque no final da tarde. O que é felicidade para uma pessoa pode não ser para outra, pois a concepção de felicidade de cada um está relacionada com situações, fatos e momentos em que a pessoa experimentou e se sentiu realmente bem e feliz.

    Apesar de cada um ter uma experiência com a felicidade, há uma concepção generalista que nos é transmitida pelos meios de comunicação de massa, que está geralmente associada como consequência de adquirir bens materiais. Porém, a nossa sensação de felicidade independe de ter coisas materiais, a felicidade é um sentimento e não um objeto a ser comprado.

    Quando adquirimos algo, podemos até sentir um contentamento momentâneo, porém esse objeto dificilmente nos torna felizes, pois é impossível estar feliz todo o tempo. Em nossa vida passamos por momentos felizes, mas também passamos por dificuldades.

    Estar no mundo e conviver com outras pessoas implica em alegria, momentos felizes, mas também em conflito e momentos tristes. Não há como viver em permanente felicidade, isso não é humano, mas somente uma idealização.

    O que temos são momentos de felicidade, e para viver momentos de felicidade precisamos perceber nossos sentimentos. Quais os momentos que você percebe que se sente feliz em suas experiências? Perceba os detalhes que te fazem feliz, situações simples e se lance para a vida, corra riscos, experimente situações e viva em sua plenitude!
    “Todo mundo gostaria de se mudar para.um lugar mágico. Mas são poucos os que têm a coragem de tentar.”
    (Rubem Alves)
    Ao contrário do que muitos dizem, a felicidade não é uma condição que temos ou não, mas um sentimento que atravessamos. Faz parte da vida vivenciar situações felizes e outras tristes, a vida se faz nos contrastes. Podemos ir de encontro de momentos que nos fazem sentir felizes, não como um meio para evitar os sofrimentos, mas para nos satisfazer em nossa vida.

    Cabe aqui distinguir a confusão entre a felicidade e prazer. Podemos sentir prazer no que estamos a fazer mas nem sempre nos sentimos felizes com o que estamos fazendo, o prazer está relacionado com o corpo e o momento, já a felicidade está relacionada com a existência.

    Posso sentir prazer ao comer uma macarronada e me sentir feliz na companhia de pessoas queridas, posso sentir prazer em dormir mais de sete horas, mas me sinto feliz quando acordo escutando minhas músicas favoritas. O prazer descreve uma sensação física, enquanto que a felicidade é algo mais profundo, está relacionada com o que nos faz bem internamente, que se alinha com nossas buscas pessoais e com os nossos valores.

    Cada pessoa é uma, tentar viver igual a outras pessoas é um desperdício para com as nossas possibilidades de ser. Não precisamos nos encaixar em modelos prontos de felicidade, mas podemos ser quem somos e encontrar o nosso lugar trilhando o nosso próprio caminho.

    Para isso é preciso ousar novas experiências, dando atenção para como nos sentimos. Podemos até nos desequilibrar por um momento, mas logo depois nos reequilibramos para uma vivência mais fluida e realmente satisfatória.
    "Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente, não ousar é perder-se."
    (Sören Kierkegaard)
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