• Psicologia, ciência e filosofia

    Psicologia é uma ciência muito ampla, que dialoga com vários outros saberes, entre eles a filosofia, a biologia, a antropologia, a fisiologia e a sociologia.

    Entre os temas estudados pela psicologia estão as emoções, o funcionamento cognitivo, a percepção, o cérebro e o sistema nervoso, o desenvolvimento humano, as relações sociais, a personalidade, a saúde mental e emocional, entre outros.

    Por sua abrangência, e por se dedicar ao estudo do ser humano de uma maneira mais profunda, é possível relacionar o estudo da psicologia com tudo o que representa e envolve o existir humano, como as artes, a história, a cultura, a geografia, as religiões, as ideologias políticas, a linguagem, a organização social, a pedagogia, a economia, a moda e tendências, e qualquer assunto que faça parte da experiência humana.

    Além de sua amplitude e abrangência, é uma ciência que se popularizou muito em nossa sociedade e cultura, de modo que há inúmeras publicações não científicas, que partem do senso-comum, que comentam sobre temas da psicologia. Por conta disso, há pessoas que acreditam entender sobre as emoções e o comportamento humano sem nunca terem estudado a psicologia científica.

    Não é difícil escutar alguém comentar ideias formadas sobre temas como emoções, comportamentos e personalidade, supondo entender e saber bem do que se trata. Porém essa ideia foi constituída por conta de saberes e suposições comuns, não-científicos, que buscam explicar temas psicológicos sem uma metodologia nem um rigor.

    O senso comum é uma forma de entendimento de mundo e das pessoas que resulta da experiência de vida individual e coletiva, composto por hábitos, costumes e opiniões. Trata-se de um conhecimento acrítico, onde uma pessoa seleciona os suas observações e interpretações, muitas vezes sem nenhum critério ou rigor, restrito por sua experiência de vida, e elabora conclusões precipitadas sobre temas extremamente complexos.

    Porém, a psicologia que é estudada nas faculdades não é a mesma psicologia do senso comum, pois não parte de opiniões e crenças pessoais, mas de um amplo e sólido conhecimento científico, sustentado por diversos pesquisadores em diversas partes do mundo. Esta psicologia não se utiliza de crenças e preconceitos, mas relaciona os diversos saberes para a construção de um entendimento mais sólido e seguro.

    A psicologia científica se pauta numa forma de conhecimento metódico, sistemático, organizado, verificável e objetivo, evitando opiniões, suposições e preconceitos. A ciência é um conjunto sistemático de proposições teorias rigorosamente estudadas e aplicadas, com base numa metodologia segura, que se pauta em fatos comprovados por meio do método científico.

    Além da ciência, a psicologia também possui uma estreita relação com a filosofia, uma forma de conhecimento diferente da científica, que nem sempre trabalha com objetos de estudo concretos e palpáveis. Os objetos de estudo da filosofia nem sempre são perceptíveis por meio dos órgãos dos sentidos, e inclusive ultrapassa a experiência sensorial.

    Filosofar é um interrogar e questionar continuamente sobre si mesmo, sobre os saberes e sobre a realidade. A filosofia não é e nem nunca será algo feito e acabado, mas uma busca constante de entendimentos. A tarefa fundamental da filosofia é a reflexão. Filosofar é interrogar sobre os problemas que envolvem o ser humano em sua vida concreta, num contexto histórico e geográfico.

    Deste modo, a filosofia não oferece soluções definitivas para suas questões, mas possibilita as pessoas refletir melhor e mais profundamente sobre as coisas e o mundo. O ato de filosofar corresponde a um questionamento sobre o que sabemos, ou sobre o que achamos que sabemos. Por isso, tanto a filosofia quanto a psicologia são saberes inacabados, pois estão sempre em processo e transformação.
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