• Coronavírus: será apenas uma gripezinha?


    Depois que o presidente disse para voltarmos ao trabalho, por ser apenas uma "gripezinha", seus defensores passaram a comentar nas redes sociais que a economia não pode parar, pois vamos ficar sem comida e sem produtos necessários, e que estamos prestes a morrer por conta disso, mas o vírus não, afinal ele só atinge as pessoas de idade e aqueles que possuem algum quadro de baixa imunidade...

    Se você acredita que o presidente disse isso porque se importa com os trabalhadores autônomos, com aqueles que dependem de seus serviços para viver, dos milhares de microempresários do Brasil, ou que está preocupado com os milhões de pobres que podem ficar sem comida ou produtos essenciais para viver, você está sendo enganado!

    O discurso proferido foi com o intuito de defender a classe dos mega empresários, que não querem perder seus lucros ou pagar salários para funcionário que não esteja trabalhando, eles não querem que suas vendas diminuam, pois não querem perder seus rendimentos e suas comodidades. Eles não querem perder ou se sentir privados de sairem na rua e comprarem o que bem desejam.

    São estes os mais preocupados com o dinheiro do que com a vida, porque os pobres, os autônomos, os necessitados já estão acostumados a se virar, e como pouco possuem, o bem mais precioso são suas vidas. A grande maioria dos donos das mega empresas não estão nem aí com a vida de seus funcionários, se alguns morrerem eles contratam outros, o que eles querem é manter o conforto e o lucro, já que possuem condições de pagar médicos particulares, fazer testes rapidamente, pois não dependem do SUS...

    O brasileiro dá um jeitinho para tudo, se não tem carne de vaca a gente come de porco, se não tem de porco comemos ovo, se não tem mistura a gente coloca uma banana no arroz e feijão, quem nunca fez isso? Quem nunca passou necessidade, ou teve que deixar de jantar num restaurante para pagar uma conta? Quem nunca teve que esperar 10, 20, 30 meses guardando dinheiro para comprar algo que gostaria? Quem nunca teve que deixar de comprar o sorvete delicioso para comprar arroz?

    Sabe quem nunca passou por isso? Aqueles que nasceram em berço de ouro, que tiveram sempre tudo do bom e do melhor, que ao abrir a geladeira encontravam sempre carne, ovo, iogurte, queijo, legumes, verduras e até sobremesa. Enquanto isso, o povão sempre se virou com o que tinha, não compram nem iogurte quanto menos sobremesa ou diversos tipos de carne.

    Estamos passando por um momento realmente difícil, não somente no Brasil, mas no mundo todo. Todas as autoridades de estado estão tomando medidas restritivas, com foco inicialmente na vida. Nós pagamos impostos altíssimos, todos os dias, em tudo o que compramos, é papel do estado cuidar das pessoas neste momento, encontrar soluções mais prudentes e razoáveis nesta circunstância.

    Porém, o que acontece é que uma parte do eleitorado do Bolsonaro é composta por mega empresários, que acreditaram que sua política ultra liberalista fosse trazer mais lucros em seus investimentos, e estes são os que não querem perder um centavo que seja, muitos deles preferem que seus funcionários morram a ter que pagar salários sem ter seus lucros. Eles pressionaram o presidente, que como fraco e ignorante, cedeu.

    Estamos numa pandemia onde mais de mil pessoas estão morrendo diariamente, no mundo todo. Todos os países estão tomando medidas para evitar o aumento do contágio. Se voltarmos para as ruas e em aglomerações, nós, os trabalhadores, corremos o risco de nos contaminar e passar o vírus para nossos colegas de trabalho e nossa família. Lembrando que ainda não há cura para este vírus, alguns se recuperam, enquanto que outros morem.

    Aliás, o país não está parado, as empresas e indústrias de produtos e serviços básicos estão seguindo, como nos outros países: alimentos, médicos, medicamentos, água, energia elétrica, telefonia, internet, polícia, bombeiro, etc. O que está parado ou foi diminuído, de um modo geral é o comércio, as escolas, os parques, os shoppings, igrejas, eventos culturais e visitas em presídios, ou seja, tudo o que possibilite aglomerações.

    O presidente não disse que está triste porque as pessoas não podem se encontrar mais fisicamente neste momento, ou pois as crianças não estão indo ao parque, que os presidiários não estão recebendo visita, ou ainda que os autônomos e prestadores de serviços não estarão recebendo. Ele focou na economia, na produção de riqueza e lucro, enfim, seu discurso não é para você, sua família ou seus filhos, mas para o lucro dos mega empresários.

    Inclusive, seu discurso não está alinhado com as recomendações do Ministério da Saúde, que em suas determinações não falaram nada em seguir com as falas do presidente, pelo contrário, eles disseram que devemos seguir com cautela e que precisamos manter como estamos para evitar o aumento do vírus.

    Agora, imagine se o comércio voltar ao normal, as pessoas se encontrando e se aglomerando, o vírus irá se espalhar muito mais rapidamente, mesmo tomando as precauções, nenhum país conseguiu controlar o vírus desta maneira. Mais pessoas irão se infectar, mais pessoas irão morrer, enquanto isso, os mega empresários vão seguir recebendo seus lucros, vendendo e ganhando, é isso o que o presidente e os mega empresários querem.

    26 de março de 2020.
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